Os participantes do mercado ao longo de toda a cadeia de valor de fertilizantes estão expressando um otimismo renovado para os próximos meses, com expectativa de que os preços se mantenham firmes na maioria dos nutrientes-chave. Esse sentimento foi amplamente compartilhado entre os stakeholders da indústria presentes na Conferência Argus Fertilizer Latino Americano (FLA), realizada em Miami de 26 a 28 de janeiro de 2026, um dos encontros anuais mais importantes para o mercado de fertilizantes da América Latina.
Durante as discussões na conferência, os participantes demonstraram perspectiva de alta para os três principais nutrientes — nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K) — nos próximos dois a três meses, especialmente para produtos fosfatados e nitrogenados. Essa visão positiva e amplamente alinhada contrasta com a divergência de opiniões normalmente observada em conferências anteriores.
Milton Sato, Head de Inteligência de Mercado Global da FertiStream, que participou de discussões com diversos traders e compradores, compartilhou os principais pontos que estão moldando a atual perspectiva do mercado.
Fósforo apoiado por preços mais altos do enxofre
O aumento dos preços do enxofre continua a sustentar os mercados de fosfato, impactando diretamente as margens de produção de MAP, DAP e, em particular, SSP. A atenção do mercado permanece voltada à decisão da Mosaic, maior produtora combinada de fosfato concentrado e potássio do mundo, de estender a paralisação de duas plantas de SSP no Brasil por mais 30 dias. As restrições de oferta também foram reforçadas por condições climáticas adversas que afetaram as cargas da OCP no Marrocos em janeiro, enquanto o mercado norte-americano iniciou a temporada com estoques abaixo do normal.
Política de exportação da China continua sendo variável-chave
A política de exportação da China para ureia e fosfatos continua sendo um fator determinante para os preços. Os preços do enxofre tiveram forte alta ano a ano, elevando significativamente os custos de produção. Em resposta, as autoridades chinesas impuseram uma proibição de exportação de MAP, DAP e NP até agosto de 2026. No entanto, muitos participantes do mercado esperam que a decisão seja revisada assim que a demanda doméstica diminuir em abril, potencialmente permitindo a retomada das exportações a partir de maio ou junho. Tal mudança teria implicações significativas, especialmente para grandes mercados importadores, como Índia e Brasil, onde produtos chineses têm sido alternativas importantes quando os suprimentos de outras qualidades estavam escassos.
Sentimento firme nos mercados de ureia
Os mercados de ureia também permanecem firmes, apoiados pela expectativa de um tender indiano que poderá absorver embarques de março e, possivelmente, do início de abril. Na Europa, custos mais elevados relacionados ao CBAM para UAN e CAN devem incentivar a importação de ureia devido a encargos de carbono relativamente menores. Apesar da incerteza contínua sobre a implementação do CBAM, os traders antecipam uma retomada das compras à medida que os estoques pré-CBAM se esgotam gradualmente antes da temporada de aplicação na primavera. Enquanto isso, os preços da ureia no Egito continuaram a subir durante a conferência, à medida que traders aumentavam posições longas, enquanto as tensões geopolíticas no Golfo Árabe também levantaram preocupações sobre possíveis interrupções de oferta.
Potássio mantém preço competitivo
Nos mercados de potássio, os compradores observaram que o MOP continua sendo o nutriente mais acessível em relação à ureia e aos fosfatos. Além disso, os embarques do fornecedor bielorrusso BPC para os EUA podem ser retomados nos próximos meses à medida que as sanções forem reduzidas, criando um canal adicional e potencialmente aliviando pressões de oferta em outros destinos.
Apesar do sentimento positivo, desafios persistem. As relações preço-grão/fertilizante permanecem desfavoráveis em várias regiões, afetando especialmente a demanda por nitrogênio e fosfatos, enquanto restrições de crédito continuam impactando partes do mercado brasileiro. Ainda assim, os participantes da conferência esperam que os fatores positivos de mercado superem os riscos no curto prazo.

