A atividade de compras dependerá das condições climáticas, da estabilidade do fornecimento, dos preços dos fertilizantes e do acesso ao crédito por parte dos agricultores brasileiros.
O Brasil é o quarto maior mercado de fertilizantes do mundo, depois da China, Índia e Estados Unidos. O país depende fortemente das importações, com cerca de 90% de suas necessidades de nutrientes para as culturas sendo provenientes do exterior. A produção de soja e milho impulsiona o consumo de fertilizantes, uma vez que essas culturas representam a maior parcela das áreas plantadas e geram a maior parte da demanda por fertilizantes. A produção de milho depende principalmente de fertilizantes nitrogenados, enquanto a soja depende fortemente de fosfatos. Ambas as culturas também necessitam de potássio.
Ainda não está claro qual será o tamanho do mercado brasileiro de fertilizantes em 2026. O cenário mais otimista apontado pelos especialistas é de 45 milhões de toneladas, ainda 4 milhões de toneladas abaixo do ano passado. Vários fatores estão contribuindo para a incerteza em relação à demanda até o final do ano:
• Oferta de fertilizantes mais restrita e substituição de produtos
As tensões geopolíticas e as interrupções nas exportações da região do Golfo reduziram a disponibilidade, particularmente de ureia e fosfatos, como o MAP (fosfato monoamônico). Ao mesmo tempo, o enxofre, uma matéria-prima importante utilizada na produção de ácido fosfórico e, consequentemente, de fertilizantes fosfatados, continua em oferta restrita. A forte demanda do setor de níquel da Indonésia e as interrupções nas exportações do Oriente Médio e da Rússia estão contribuindo ainda mais para sustentar o mercado. Para compensar a disponibilidade limitada, os compradores brasileiros recorreram ao sulfato de amônio como fonte de nitrogênio e sulfato. A baixa oferta de SSP agrava ainda mais a disponibilidade de enxofre nesta temporada. No segmento de fosfatados, a proibição chinesa de exportações, devido ao aumento dos custos dessa matéria-prima, também reduziu significativamente a oferta disponível, especialmente de NPs.
• Altos custos de financiamento e acesso limitado ao crédito
O crédito continua sendo uma importante fonte de financiamento para os agricultores. A taxa básica de juros do Brasil, conhecida como taxa Selic, está em 14%, mantendo elevados os custos de financiamento. Ao mesmo tempo, a inadimplência dos empréstimos agrícolas no Banco do Brasil, uma das maiores instituições de crédito agrícola do país, quase dobrou, passando de 3,16% em junho de 2025 para 6,27% em junho de 2026.
Para apoiar a temporada de plantio de 2026/27, o programa anual de financiamento agrícola do governo brasileiro, Plano Safra, disponibiliza R$ 525,1 bilhões em crédito de julho de 2026 a junho de 2027, incluindo empréstimos subsidiados. No entanto, ainda não está claro o quanto isso irá melhorar a situação.
• Riscos para as safras devido ao El Niño
El Niño é um fenômeno climático associado a águas excepcionalmente quentes no Pacífico tropical. O evento atual começou em junho de 2026 e deve se intensificar nos próximos meses, podendo se tornar um dos mais fortes desde 1950. Ele pode continuar até março de 2027, trazendo condições mais quentes e secas para o centro e o norte do Brasil e chuvas mais intensas para o sul. Isso aumenta o risco de secas, enchentes e incêndios.
Os especialistas estão cautelosos quanto às perspectivas para o setor de fertilizantes no Brasil. Impulsionados pelas interrupções nos fluxos de importação, os compradores brasileiros recorrerão à redução dos estoques existentes e, eventualmente, reduzirão a aplicação de fertilizantes nesta temporada. Por outro lado, estoques menores e taxas de aplicação mais baixas são positivos para o próximo ano agrícola.

