A interrupção no Estreito de Ormuz mantém os mercados de fertilizantes sob pressão

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O Estreito de Ormuz continua a desempenhar um papel crítico no abastecimento global de fertilizantes, afetando os fluxos comerciais, os custos de frete e a segurança do fornecimento. Apesar da assinatura do memorando de entendimento entre os EUA e o Irã, em 17 de junho, a atividade de navegação pelo estreito permaneceu significativamente abaixo do normal. O tráfego de embarcações estabilizou-se em apenas cerca de 30% dos níveis anteriores ao conflito, com aproximadamente 30 a 40 travessias por dia, em comparação com cerca de 120 antes do conflito. Após a mais recente escalada, o tráfego diário de embarcações caiu para níveis de apenas um dígito, aumentando a incerteza sobre os fluxos de abastecimento e levando os participantes do mercado a reavaliar estratégias de suprimento, redes logísticas e exposição a riscos.

Milton Sato, Head de Inteligência Global de Mercado da FertiStream, explicou como a incerteza no Estreito está influenciando as perspectivas do mercado de fertilizantes.

O risco geopolítico está remodelando as estruturas contratuais para além dos custos de frete

Com as tensões no Estreito de Ormuz ainda sem solução, os participantes do mercado continuam monitorando de perto novos embarques de exportação de commodities-chave, incluindo ureia, enxofre e fosfatos, bem como o tráfego de embarcações.

O número de cargas de entrada é um dos primeiros indicadores da disponibilidade de fertilizantes provenientes dos principais fornecedores do Golfo Árabe, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita, além de possíveis mudanças nos fluxos globais de comércio. Enquanto isso, a atividade marítima continua refletindo condições elevadas de risco de guerra, com armadores e seguradoras limitando a tonelagem disponível e mantendo elevados os custos de frete e os prêmios de seguro. Como resultado, os custos de transporte aumentaram significativamente, acrescentando mais pressão à cadeia global de suprimentos de fertilizantes. Por exemplo, as tarifas de frete da ureia do Catar para a Índia atingiram cerca de US$ 59/t no início de julho, em comparação com aproximadamente US$ 14/t no início de fevereiro. As tarifas de frete do enxofre a partir do Golfo Árabe também dispararam para cerca de US$ 170/t, ante aproximadamente US$ 35/t antes da escalada das tensões.

No entanto, o impacto vai além dos custos de frete. O ambiente de maior risco também está remodelando as estruturas contratuais. Na mais recente licitação de ureia da Índia, os compradores revisaram os termos para cargas originadas na região do Estreito de Ormuz, transferindo os riscos de execução e atrasos para os vendedores e exigindo o pagamento apenas após a apresentação do Notice of Readiness (NOR) pela embarcação.

O enxofre restringe o mercado de fosfatos

Além das interrupções logísticas, a disponibilidade de enxofre tornou-se uma grande preocupação para os produtores de fosfatos, já que o Golfo Árabe responde por cerca de 50% da oferta global desse insumo. Os preços do enxofre já vinham subindo devido à forte demanda dos produtores de metais, especialmente na Indonésia e na África, antes que as interrupções relacionadas ao Estreito de Ormuz restringissem ainda mais a disponibilidade.

Os riscos para o abastecimento de enxofre aumentaram após as restrições às exportações da Rússia, que embarcou aproximadamente 830 mil toneladas de enxofre no ano passado, e diante das preocupações com o Cazaquistão, que exportou 4,5 milhões de toneladas em 2025. A menor disponibilidade para exportação levou os compradores a reduzirem estoques, com os estoques portuários da China caindo para cerca de 737 mil toneladas, em comparação com 1,9 milhão de toneladas um ano antes.

O aperto na oferta de matérias-primas também afetou a produção de fosfatos, com Marrocos reduzindo as taxas operacionais do segundo trimestre em 30% a 40% e a Mosaic anunciando cortes de produção em várias plantas no Brasil e nos Estados Unidos. Os custos mais elevados do enxofre estão aumentando as despesas de produção de fosfatos e limitando a capacidade dos produtores de reduzir preços para estimular a demanda.

A demanda permanece desigual

Embora as restrições de oferta estejam sustentando os preços dos fertilizantes, a acessibilidade e o apoio governamental continuam moldando as decisões de compra. Mercados subsidiados, como a Índia e, em menor medida, Etiópia e Bangladesh, continuam sendo um importante motor do comércio global de fertilizantes. Como os governos cobrem uma parcela significativa dos custos dos fertilizantes, a demanda dos agricultores é menos dependente dos preços dos fertilizantes importados.

No Brasil, porém, a acessibilidade continua sendo um desafio. A relação soja/MAP permanece cerca de 10% abaixo do nível do ano passado e bem abaixo da média dos últimos três anos, limitando a disposição dos agricultores em pagar preços mais elevados pelos fertilizantes fosfatados.

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